BRAZILCONZE BRAZILIAN ONLINE MAGAZINE, CULTURAL MAGAZINE Interview, Intrevista
André Cypriano
by Ana Lourdes Alvarenga
um paulista e duas ilhas. Fotógrafo brasileiro vivendo nos Estados Unidos desde 1990, André - humildemente, já conseguiu o que muitos almejam - ter seu talento reconhecido internacionalmente. Hoje, ele respira com simplicidade o melhor de dois mundos - de Manhattan à Ilha Grande in the blink of one eye... Quando você ler essa entrevista, os pés de André estarão pisando as areias molhadas de Abraão. Ele acaba de viajar para o Rio onde participará do II Parati em Foco, exibindo alguns trabalhos e sendo entrevistando no dia 21 de Setembro. Na bagagem de Mr.Cypriano pesam prêmios como o Portrait Excellence Award, o New Works Awards, o Mother Jones International Fund for Documentary Photography e a Bolsa Vitae de Artes em São Paulo. Em sua memória vivem imagens do Povo de Nias, na costa oeste da Sumatra (Nias: Pulando Pedras), Práticas de rituais em Bali (Bali: Uma Busca Espiritual),a penitenciária Candido Mendes, na Ilha Grande, RJ (O Caldeirão do Diabo) e mais recentemente Rocinha - que virou um livro de 100 fotos mostrando o cotidiano da maior favela do Brasil.!!!! Uma dica para colecionadores - vai ter foto do Mr. Cypriano sendo leiloada a preços convidativos no Bar Maddá, da Vila Madalena - abram os olhos, prints will fly. BRCZ invited André for an interview during a rooftop party for the "Premiere Brazil Film Festival"- a partnership of the 'Festival do Rio' com o Museu de Arte Moderna in NYC, that takes places in MoMA every summer. We were both invited by Tãnia Cypriano, his sister a renowned brazilian documentarists living in the US. Coincidência ou não, esse encontro meio ao revés veio acalentar as dúvidas e curiosidades que nasceram em mim há alguns meses atrás num "chá das cinco" na "Travessa" do Leblonno Rio, onde minha companhia era - "Rocinha" - seu último livro. Nessa deliciosa entrevista André fala de ser pai e filho, do ofício de fotográfo, do prazer de ser surfista. Explora impressões, expressões e desapegos, Opina sobre Cotas, Sistema Carcerário, latinidade e sobre seu mais recente projeto fotografando dez favelas cariocas - um estudo antropológico com vários seguimentos, incluindo a documentação das pixações do Comando Vermelho dentro destas favelas. Enjoy! André Cypriano by Ana Lourdes Alvarenga Silva BRCZ - Here is the light box, let's go back to the first negative: André... Cypriano - de pai ou de mãe? Que parte de você a ausência do teu nome do meio esconde? André - Os valores familiares certamente estão refletidos em todas as minhas imagens. Principalmente na minha maneira de me aproximar das pessoas e na forma de analisar as coisas. O que fotografar, e por que? Close up? Aonde mostrar as imagens, e de que forma. Os ensinamentos dos meu pais estão sempre presentes, principalmente quando surge a questão “responsabilidade”. No entanto, quando minha mãe diz que não gosta de uma fotografia minha, provavelmente aquela imagem é uma das selecionadas para o portfolio final... Meu nome do meio não representa nenhuma das parte, é um nome ordinário, do mundo. BRCZ - Como e quando começou o teu relacionamento com a câmera? Foi atração mecânica - descobrindo o objeto"câmera", a necessidade de memória, uma tentativa de prolongar "visual orgasms"... o que foi? André - Acredito que o gosto pela arte surgiu da coleção de selos que comecei quando pequeno. Nos selos existem retratos, pinturas clássicas, historia e muitos elementos que comparam a um portfolio de fotografia, como as series. Mas pela câmera fotográfica, quando adolescente, gostava de descobrir praias desertas para surfar, documentava as viagens e depois mostrava as fotos aos amigos da cidade – principalmente as meninas! Logo descobri que a câmera me guiava a lugares aonde eu normalmente não iria. Assim, fui desafiando o desconhecido, e hoje sou viciado por esse prazer. O mistério do desconhecido é uma dádiva da vida. BRCZ - Duas fotos que ficaram na tua história. Quem te capturou? André - Qualquer uma das fotos do portfolio de Sebastião Salgado feitas na Serra Pelada me capturou. Assim como qualquer uma das fotos do portfolio de Eugene Richards do portfolio Cocaine Blue Cocaine True, sobre viciados pela cocaína na América. São fotos de dois mestres da fotografia branca & preta que documentam relevantes temas sociais. A qualidade das fotografias que eles apresentam nas exposições assim como nos livros é surpreendente. Dois visionários. BRCZ - Quando e como a fotografia virou profissão? André - Comecei a estudar fotografia em San Francisco, CA um ano depois de mudar para os EUA. Estava em busca de uma profissão que poderia continuar me trazendo o prazer de viajar. Como parte de um projeto de longo prazo, comecei a documentar estilos de vida tradicionais, e práticas de sociedades em lugares menos conhecidos nos remotos cantos do mundo, com uma tendência para o raro e o extraordinário. O primeiro documentário fiz na ilha de Nias, na costa oeste da Sumatra, e foi financiado por mim mesmo porque acreditava no potencial visual do lugar e sua cultura. Havia visitado Nias antes para surfar, mas percebi que havia naquele lugar algo ainda mais atraente do que as ondas gigantescas - o mistério da cultura megalítica do povo de Nias. E foi através deste portfolio chamado Nias - Pulando Pedras, que ganhei os primeiros prêmios e onde as portas se abriram para acreditar na fotografia como estilo de vida e profissão. BRCZ - Why B&W? André - Acho que o preto e branco é uma interpretação da realidade, o colorido um reflexo. Sou viciado pela platina queimada no papel fibra. Uma vez meu pai me disse que alguns animais enxergam em preto e branco. Acho que esse é o meu lado animal. BRCZ - What about the digital world? Having fun yet? André - Muito! E’ muito prático. Também esta sendo um alívio saber que não são mais jogados no mar os químicos provenientes da revelação. Eram rios de reveladores e fixadores do qual existe a platina, elemento hiper tóxico. Utilizo a digital para fotografar editoriais, fotos para banco de imagens e momentos familiares. Ainda nunca utilizei para projetos pessoais, do qual continuo preferindo o filme B&W. A melhor câmera digital ainda não alcançou a qualidade de informações que um filme B&W proporciona nas sombras e nos high-lights da imagem. BRCZ - O quão dentro do objeto tua objetiva te leva? Você já conseguiu achar a saída do Caldeirão do Diabo? André - Minha objetiva me levou a um corredor dentro do Caldeirão do Diabo. Neste lugar, em total escuridão, os latidos e uivos dos cachorros se misturavam aos corpos sombrios e fétidos que se movimentavam ao meu redor como espíritos perdidos. Ali era o inferno - e o portão da penitenciária hoje parcialmente demolido era mais do que a saída "física" do Caldeirão . A Ilha Grande é o 'Spiritual Eden' a 'luz no fim do túnel' com suas de 110 praias selvagens. O Único lugar no estado do Rio de Janeiro onde as águas dos rios descem da nascente ao mar sem nenhum contato com o ser humano. O metro quadrado com maior numero de biodiversidade do mundo. BRCZ - Oito momentos dos 8 meses de pesquisa na Ilha Grande. Esmiuçando o processo. André - 1- Sinais de que o Caldeirão poderia vir a fechar. A penitenciaria estava em ruínas e não havia condições para sua restauração, principalmente por falta de verbas oficiais. 2- Dos arquivos dos principais jornais do Rio de Janeiro faço copias de dezenas de matérias que deixavam entrever o horror que poderia haver ali dentro, como “Corre sangue nos corredores do Caldeirão”; “Criminosos de alta periculosidade são enviados para o Inferno Verde”; “O Caldeirão do Diabo - presídio que nunca esquece o passado”; e “Sob o domínio do Comando Vermelho”. 3- Entro em contato com a diretora do Sistema Penal do Rio de Janeiro, Julita Lemgruber. Por sorte, uma amante da arte da fotografia branca e preta. 4- Apresentação da proposta e portfolio de fotografias a Julita Lemgruber, explicando minha intenção. Deixei claro que meu objetivo com este trabalho fotografico era a arte e a historia. 5- Agosto de 1993, aterrisso no Rio de Janeiro mesmo sem ter assegurado minha entrada na prisão. 6- A diretora do Sistema Penal me apresenta um pré-contrato exigindo minha assinatura, aprovado pelo então secretario de Justiça e vice-governador Nilo Batista, onde sob a pena da lei continha restrições elaboradas para proteger o governo estadual e evitar danos a sua imagem diante do resultado de meu trabalho. 7- Evidencias que a maior organização criminal do Brasil, o Comando Vermelho, estava em controle total sobre a massa carcerária dentro do Caldeirão. 8- Nada valeria as autorizações do Sistema Penal, se os lideres do Comando Vermelho no presídio não me aceitassem. Os lideres eram os homens com os quais eu iria ter que tratar. BRCZ - O que foi feito daquelas vidas ? Você ainda mantém contato com alguma delas? André - A maioria morreu, como o líder Chiquito (capa) e o Paulinho (guia e assistente, foto beijando o medalhão do CV). Apenas uma pessoa dos fotografados sei que conseguiu se reabilitar, o Luizão (foto colocando uma corrente no pescoço). Depois do Caldeirão me encontrei com ele na favela da Santa Marta. Luizão me ajudou viabilizando minha entrada para documentar o morro da Santa Marta com segurança. Na favela onde reside me contou, na frente de sua mãe, porque estava longe do crime. Quando saiu da prisão sua família o colocou no canto da parede e lhe deu duas opções: a de ficar na vida do crime e esquecer que a família existe; ou a de ter o apoio da família assim como um carro para trabalhar como taxista. Luizão alem de trabalhar como motorista de taxi também virou ator de cinema e televisão. Atuou como o policial chefe no filme Cidade de Deus, e fez outros papeis nos episódios do Cidade dos Homens. BRCZ - Pensamentos sobre o sistema carcerário brasileiro... André - Falido, corrupto, uma universidade do crime. Penitenciarias devem ser para reabilitar, com bibliotecas, cursos profissionalizantes, médicos psiquiátricos e muito mais. A família é o maior veículo de reabilitação, mas são tratados sem respeito. Hoje existem ótimos projetos que deveriam estar em pratica, como o projeto de Penas Alternativas criados por Julita Lemgruber. Por que não estão? São vários fatores diários que quebram todas as regras dos Direitos Humanos. BRCZ -O que te atrai na pobreza? Como a fotografia pode interferir na miséria? André - Costumo dizer que miséria não é triste ou feliz, mas que traz emoções. O ser humano se adapta a situações de extremo, mas que não deveria. A criatividade, a cultura informal e o misticismo que surge por conseqüência da miséria. Acredito ter sido escolhido para mostrar com dignidade e respeito. A fotografia interfere sensibilizando, buscando uma intimidade, mexendo com os sentidos. BRCZ - O que mudou na Rocinha? André - Muita coisa e nada. Hoje o crescimento já não é mais horizontal e sim vertical. O CV não controla mais o morro, agora é o Amigo dos Amigos, ADA. A policia continua corrupta, invadindo o morro para capturar alguém do trafico de drogas e pedir propina para os lideres, alem de matar inocentes apenas para mostrar que tem poder. Vejo a Rocinha como uma cidade órfã, mas por ser adulta, com mais de 60 anos, já ganhou muita experiência de vida. Virou bairro, encontrou sua identidade e se transformou em exemplo para outras favelas, principalmente pelo seu forte poder econômico. BRCZ - Você está ciente da discussão sobre as Cotas nas universidades brasileiras? Qual é a tua opinião a respeito? André - Quando morava em San Francisco, 10 anos atrás, tentaram cortar essa lei já existente a muitos anos no estado da Califórnia. Lembro que havia sido bem polêmica e que não foi banida. O Brasil está atrasado. Após anos de escravidão aos nativos, africanos e afro-descendentes. Sim, temos uma dívida. E porque não começar a paga-la pela raiz. Correções dignas para nossa sociedade democrática e anti-racista. BRCZ - Além de Caracas, que outras terras latino americanas teus olhos viram? O que tua boca conta? André - Não fotografei outras terras Latinas, e não pretendo no momento. Estou mais interessado em documentar as favelas da África do Sul e uma particular na Índia, a maior favela do mundo, com mais de um milhão de habitantes. BRCZ - Brasileiros são latinos? Quem samba como nós? André - Cada pais latino tem sua característica única e as vezes precisamos viver no pais para entender isso melhor. Em Caracas, por exemplo, os venezuelanos me diziam; “vocês ganharam cinco Copas do Mundo, mas nós ganhamos cinco Miss Universo.” Sei que ninguém samba como nós Brasileiros. Somos latinos com um ritmo e uma ginga muito particular, diferente da salsa. Na pratica, particularmente, me considero latino quando estou concorrendo por um renomado premio Latino Americano de fotografia. BRCZ - Como o US acabou fazendo parte da tua vida? André - Minha família começou a migrar para USA quando ainda era adolescente, a mais de 30 anos. Aos poucos foram vindo, um por um. Fui praticamente o ultimo porque gostava de praticar surf em Ubatuba, tinha uma namorada e quis terminar a universidade de administração de empresas. E acima de tudo, tive uma decepção muito grande com o plano cruzado e seus danos. Em decorrência, abandonei o pais. BRCZ - Migrar é preciso? André - Não, mas navegar é. Numa das vezes em que o Dalai Lama discursou no Central Park, disse que temos pelo menos uma vez por ano que ir a algum lugar onde nunca fomos antes. Vou para dezenas de lugares novos por ano e vejo pessoas que esquecem que existe esse prazer, que deveria ser obrigatório. Ir a um lugar completamente diferente do que aquele da casa para o supermercado e para o escritório. Muitas pessoas passam anos esperando pela aposentadoria para poder fazer a viagem dos sonhos, e muitas vezes quando chega a hora o corpo fisicamente não consegue atender ao sonho. BRCZ - NYC e você ? Como anda esse relacionamento? André - Me distanciei de NY depois do September 11th. Fui em busca de natureza. Achei o que estava faltando na Ilha Grande e com isso agora meu relacionamento com NY agora esta novamente ótimo, melhor do que nunca. Tenho um apartamento no Chelsea, considerado “the hotest place in Manhattan” atualmente. Estou rodeado por mais de 150 galerias de arte. Ao descer do meu apartamento respiro arte. A cidade nos da oportunidades para realizar o que ansiamos. Ela nos mostra o melhor do melhor do que existe no mundo em geral. Ela sempre nos surpreende com seu surrealismo nos fazendo dizer, “only in New York”. Daqui levo muita coisa para digerir na Ilha, uma combinação perfeita. BRCZ - Por que NYC não figura em teu portfolio ON-LINE? André - Ele figura de uma forma diferente. Se você observar no ultimo dos portfolio do meu web site on line, chamado Genuine, existem 20 retratos entre os 32 a mostra, feitos com a cidade de background. Manhattan é muito diversificada, paisagens fabulosas para ser usadas como fundo a retratos de editorial e moda. Não busco fazer documentários específicos porque estou aqui com uma outra proposta, a de buscar inspirações e condições para desenvolver os projetos em outros paises. BRCZ - What's up with the war in Lebanon? Any photo we must see? André - Essa é uma guerra ridícula. Já vimos as fotos necessárias - as das crianças mortas nas capas de jornais do mundo inteiro. Agora não recomendo vermos mais nenhuma imagem, pelo contrário. Os jornais estampam diariamente fotos que vendem, sempre procurando uma mais trágica do que a do dia anterior. Isso vira uma foto-novela, sem verdadeiros sentimentos pela causa. Inconscientemente esquecemos a imagem do dia anterior em busca de uma imagem mais forte, que nos traga um estranho prazer. Qual o próximo capitulo? Não ha justificativa para Israel fazer o que esta fazendo. Comparo com os traficantes nas favelas do Rio, imagine nosso governo bombardeando os morros matando dezenas de crianças inocentes para acabar com os traficantes. Isso não faz sentido nenhum. Vejo que principalmente aqui nos Estados Unidos a mídia e a população precisam perder o medo de falar contra as atitudes do governo Israelense. BRCZ - Como foi o All Roads project for National Geographics? André - Foi maravilhoso e diferente. Me levaram para Los Angeles, Stanford e Washington, com exposições e palestras pré agendadas. Tudo muito bem organizado. A começar pela inesquecível tour por todos os departamentos do prédio da National Geographic, onde fiquei particularmente impressionado com a tradição do lugar. Me apresentaram vários fotógrafos renomados, como Reza e David Alan Harvey. E me deram a oportunidade de mostrar meu trabalho para os principais editores das “Amarelinhas” (National Kids, National Traveler...). Ao final foi interessante ver que ser um fotografo da NG não é bem o meu sonho. A revista procura mostrar uma linha de fotografia que não acredito ser a minha. Principalmente por quase não mostrar projetos em Branco e Preto. E a extensão dos organizadores não era de me trazer para a revista, e sim de dar o maior apoio possível para que eu continue a desenvolver a fotografia que eu amo fazer. BRCZ - Você está trabalhando em algum projeto específico atualmente? André - Fotografei as 10 principais favelas do Rio de Janeiro. Mangueira, Borel, Santa Marta, Pavão e Pavãozinho, Canta Galo, Vidigal, Morro da Providencia, Cidade de Deus, Vigário Geral e Jacarezinho. Agora estou passando dias e dias editando o gigantesco material. E’ um estudo antropológico com vários seguimentos, incluindo pixações do Comando Vermelho dentro destas favelas. A intensão é de transformar o material em livro. Também estou trabalhando em um portfolio um pouco diferente dos outros que fiz, com imagens de pessoas no estado maximo de relaxamento na ilha grande. BRCZ - E a sétima arte? Algum namoro com ela? André - Estou começando a filmar a minha filha, hoje de dois meses de idade. Sinto medo da filmadora porque sei que vou gostar, e sei do seu potencial. Estou esperando um convite, adoraria fazer um vídeo clip para começar. BRCZ - Como você financia teus projetos? O caminho das pedras amarelas para quem está começando a andar agora - do 'rolo' ao merchant. André - Passo a passo, pedra por pedra, normalmente leva anos. Eu diria em torno de 10 anos. E’ preciso fotografar muito para encontrar uma segmento, um estilo único, Desenvolver portfolios e mais do que tudo, não deixa-los parados em casa. Estudar bem para onde mostrar, como fazer uma inscrição para bolsa, seguir todas as normal sem nenhuma desculpa. O portfolio tem que estar impecável, Mas no final das contas, a sorte é muito importante também. BRCZ - Mitos e Fatos da carreira como fotógrafo. André - O que os olhos não vêem, o coração não sente. Como fotografo portas se abrem, mas cuidado em qual entrar. BRCZ - Quem revela teus filmes? Quem amplia tuas fotos? André - Eu mesmo, e só eu amplio minhas fotos nos papeis originais de qualidade de museu, gelatin silver fiber base. Sou viciado pela platina queimada e por essa forma artesanal de expressão. Uma foto bem feita tem muito do autor em suas tonalidades, nos seus contrastes. Se possível vou queimar meus negativos antes de morrer, deixando apenas os digitais a disposição, para que ninguém nunca tente fazer uma original minha. Não seria minha. BRCZ - A foto que foi mais rápida que o click. Descrevendo a imagem que vai ficar somente na memória. André - Não gosto de lembrar desta foto, mas vamos lá... o líder do trafico de drogas da Rocinha Lulu, morto pela policia em 2005. BRCZ - 5 contemporary photographers we MUST know. André - Eugeny Richards, James Nachtwey, Chris Rainier, Mario Cravo Neto, Andrés Serrano BRCZ - 5 brazilians we must BUY. André - Alexandre Hercovih – fashion designer; Vick Muniz – photographer; Herbert Vianna – musico; João Moreira Salles – documentarista; Joao Gordo – musico/apresentador BRCZ - 5 ISSUES we must do something about it. André - HIV e AIDS na África e Asia,Corrupção no Brasil, Legalizar a droga paralelamente a uma campanha inteligente contra o uso, Diminuir a violência no Brasil para estimular a industria do turismo, Controle de natalidade. BRCZ - Fala um pouco sobre a gracinha da tua irmã... André - Uma inspiração. Seus documentários de filme, premiados internacionalmente, influenciaram muito minha vida. A Tânia é uma visionária. BRCZ - Recentemente você deu cria. Como é ver o mundo com os olhos de um pai? André - É experienciar na pele o milagre da vida. BRCZ - Quer mandar beijo pra quem? André - Para um ser humano que quase nos deixou devido a um forte derrame. Meu pai. E me ensinou com isso que a vida é uma jornada, e que devemos desfrutar dela pelo caminho.

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