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Stela Brandão
by Ana Lourdes Alvarenga
BRCZ: De onde vieram os ''Brandão''?
Stela: Brandão é um nome muito antigo em Portugal. Data da própria formação da nação lusitana. No Brasil, sabe-se que o primeiro ou primeiros Brandões chegaram no Nordeste, na época das Capitanias, e dali se espalharam, e como! Hoje tem Brandão no Brasil inteiro. O meu avô paterno era do Ceará, mas não sei de onde era o pai dele. Do Ceará, meu avô Praxedes Brandão foi tentar a riqueza com a borracha na Amazônia, como muitos nordestinos o fizeram no seu tempo. Instalou-se em Óbidos, uma das cidades portuguesas do Baixo Amazonas, no Estado do Pará, à beira do grande Rio-Mar e casou-se com Clara, cabloca mestiça de índio com portugês. Foi lá onde nasceu o meu pai, na ''cidade Presépio'', como chamam Óbidos, situada na curva mais estreita e no trecho mais profundo do Rio Amazonas.
BRCZ: Música ou diplomacia?
Stela: Ingressei na UnB para o curso de jornalismo, veja só, tendo música como segunda opção. Depois de um ano, porém, já não tinha mais dúvidas de que minha vocação maior era mesmo o Canto. Larguei o jornalismo e fiquei só com a música. O Itamaraty aconteceu na minha vida como ''um acidente de percurso'' que acabou se tornando a própria trilha onde o destino foi lançando os seus desígnios. Passei no concurso assim, sem ter feito o menor esforço e sem a menor ambição. Eu queria um part-time job enquanto terminava a faculdade. A ''vida dupla'' entre a música e o Serviço Exterior, traz vantagens e desvantagens. Não é o ideal para nenhuma carreira, mas foi o caminho que se me apresentou. Estava escrito! Meu sonho porém, de verdadeiramente servir à política cultural do meu país no exterior, ainda não se concretizou. PQ? O que e PRECISO?
BRCZ: Nos últimos dois anos você tem se apresentado em diversas ''venues'' - ''voz e piano'' e acompanhada de outros artistas. Como aconteceram esses encontros? A Voz atrai instrumentos ?
Stela: A voz solista precisa de acompanhamento. Como qualquer outro instrumento de sopro (flauta, oboé, trompa, piston, etc.), a voz precisa do apoio harmônico de outro instrumento. Os instrumentos tradicionais de acompanhamento da voz solista são o piano e também o violão. A carreira de um cantor de câmara, como é o meu caso, se faz acompanhada principalmente pelo piano, o mais abrangente dos instrumentos. Eu sempre estou trabalhando com algum pianista, mas já me apresentei também com violão, com conjuntos de câmara, quarteto de cordas, orquestra de câmara e orquestra sinfônica. (Mencionar artistas, como se conheceram...)
BRCZ: Teus repertórios são sempre uma agradável surpresa. Quem e que critérios são usados na escolha dos repertórios?
Stela: O meu critério principal é sempre a beleza. Eu preciso gostar daquilo que vou cantar, preciso achar a beleza na melodia, na harmonia, na poesia, na idéia literária, na estrutura da peça. Outro critério é o temático e isto dependerá de cada ocasião, de cada recital. Tenho me dedicado muito especialmente ao repertório brasileiro e latino-americano, daí que sempre estou cantando obras representativas das nossas raízes latinas, mas eu amo a voz e o repertório vocal. Se alguma canção me cativa o coração, a imaginação e as cordas vocais, é mais certo que farei tudo para aprendê-la e incorporá-la ao meu repertório. Eu gosto muito do trabalho de improvisação vocal com instrumentos, coisa que fiz muito no Brasil. Gosto também do trabalho que fiz com companhia de dança e teatro, criando a música para os espetáculos.
BRCZ:Como a música clássica brasileira é vista internacionalmente e qual é o seu principal ''outlet'' e mercado?
Stela: A música clássica brasileira é pouco ouvida internacionalmente, se tirarmos do cenário o principal compositor, que é Heitor Villa-Lobos. Além de Villa-Lobos, temos outros muito bons compositores, os quais não têm tanto acesso ao mercado internacional. Creio que Camargo Guarnieri vem tendo maior reconhecimento, principalmente nos meios acadêmicos da música, mas ainda não chega aos pés do reconhecimento de Villa-Lobos. O melhor público para a nossa música, o mais aberto e receptivo, é o acadêmico-universitário e o público especializado, isto é, a comunidade musical propriamente dita, assim como a artística e intelectual.
BRCZ: Quem são os ''clássicos brasileiros''? Uma breve história.
Stela: Os principais nomes, além do Villa, são: Pe. José Maurício Nunes Garcia, Carlos Gomes, Francisco Manoel da Silva, Alberto Nepomuceno, Lorenzo Fernandez, Francisco Mignone, Ernane Braga, José Siqueira, Camargo Guarnieri, Cláudio Santoro, Almeida Prado, Guerra Peixe, etc. Não dá para uma ''breve história'' aqui, mas pode-se dizer que José Maurício foi o nosso principal compositor da era colonial, Carlos Gomes da era imperial, e Villa-Lobos da nossa fase já como nação republicana. Villa-Lobos foi o profeta do nacionalismo musical brasileiro. Sobre ele já existe muita coisa escrita e muitas mais ainda serão escritas e publicadas, pois uma tal personalidade não é totalmente compreendida no seu século. Vai-se compreendendo sua importância com o tempo, que só faz aumentar a admiração por este gênio que Deus presenteou ao Brasil e à humanidade.
BRCZ: Como você vê o nível de educação musical do povo brasileiro ?
Stela: O nosso povo é musicalíssimo por natureza, pelas várias influências na sua formação que contribuíram para a nossa grande sensibilidade, e nosso senso rítmico e melódico extraordinários. Entretanto, ao falar em EDUCAÇÃO MUSICAL, estamos tocando um terreno muito sofrido, muito depauperado, muito carente mesmo. Em primeiro lugar, onde está, no curriculum escolar da escola básica, a educação musical? Tiraram-na do curriculum das escolas públicas há décadas. Onde está o Canto Coral, pelo qual Villa-Lobos tanto lutou e que foi razão de tantas alegrias e progresso na vida musical da nossa nação? Você não era nem nascida quando tiraram o Canto Orfeônico das escolas secundárias brasileiras. Ah! Esse assunto me ferve o sangue completamente. Respondendo então à sua pergunta, eu considero que a nossa atual educação musical foi vilipendiada gradativamente, privando as gerações de jovens brasileiros do grande estímulo da música como disciplina e seara de valores cívicos, morais e espirituais na vida de uma nação. O que vemos hoje de bom refere-se à música popular, que no nosso país floresce em abundância e com grande criatividade. Mas a educação para manifestações musicais de outro nível sofreu muito, dando lugar também a coisas de deplorável gosto. A TV tem muita responsabilidade na formação do jovem, e a nossa TV é um desastre nesse aspecto. O que vemos é uma vulgarização sem fim, uma banalização horrorosa, uma exploração sórdida da luxúria sob todos os aspectos, uma feiúra abominável de linguagem seja ela oral, visual, gestual, tornando a juventude brasileira vítima de verdadeira lavagem cerebral em direção à vulgaridade, mediocridade, à imitação de valores externos duvidosos, à caricatura, à macaquice e total falta de inspiração. Eu deploro o que está acontecendo com a música de massa no Brasil. Por outro lado, temos tradições belíssimas que sobrevivem dado o talento inato do povo brasileiro à alegria, à festa, à celebração da vida. Em tudo o que se refira a estas qualidades da nossa cultura, é a música a manisfestação mais poderosa e contagiante de todas. No semestre passado, dei um curso no Hunter College sobre as Raízes Africanas da Música Brasileira. Foi para mim um aprendizado maravilhoso, o ensinar aos jovens do Hunter sobre a força e a beleza destas nossas raízes. Fêz-me ainda mais respeitosa e admiradora da nossa cultura popular. Há muita riqueza humana e espiritual na música popular e folclórica brasileira e isto é um verdadeiro legado do Brasil ao mundo. É claro que, ao expressar-me assim, estou deixando transparecer a profunda influência que recebi do meu próprio pai, que foi um folclorista fervoroso e defensor militante do folclore.
BRCZ: O paraense Gama Malcher foi o primeiro a falar do negro na ópera nacional. BUG JARGAL tem como pano de fundo a luta abolicionista na Ilha de São Domingos, atual Haiti. Quão frequente é a temática do negro entre os compositores internacionais? Por quê?
Stela: Eu teria que estudar e pesquisar mais para responder sua pergunta à altura. De imediato, vem-me Gershwin à mente, um judeu que teve a ousadia de elevar a temática negra ao palco operístico nos EUA, um país marcado pelo preconceito racial. Lembro-me também que, quando Carlos Gomes compôs LO SCHIAVO, a idéia original era a de retratar o escravo negro, não índio, mas por força das circunstâncias políticas involvendo a escravidão no Brasil, ele acabou mudando a raça e o contexto do personagem central. Acredito que temas relativos à justiça, fraternidade, igualdade, serão sempre grande fonte de inspiração para os compositores de ópera, pois o que é a ópera senão a metáfora enaltecida das emoções humanas e seus arquétipos?
BRCZ: A quantas anda a valorização do compositor lírico brasileiro? Ainda hoje é muito grande o desconhecimento do público brasileiro não apenas de óperas compostas no período do Ciclo da Borracha mas também de óperas que fazem resgate da história dos estados brasileiros. Por que?
Stela: Ora, há muito poucas óperas brasileiras!!! Fora Carlos Gomes, quem mais é lembrado nas temporadas operísticas nacionais? Há muito que não se encena o ''Garatuja'', de Alberto Nepomuceno, o ''Malazarte'', de Lorenzo Fernandez, ''O Chalaça'', de Franscisco Mignone, etc. O cantor lírico brasileiro vive do repertório lírico internacional, e não do repertório operístico brasileiro. Viver de ópera no Brasil é tarefa para Don Quixotes, pois falta incentivo para promover a ópera sériamente. Ópera é uma coisa muito cara. A falta de cultura geral, a falta de educação musical do público também são fatores que inibem o desenvolvimento da ópera no Brasil. O público que vai à ópera é um público musicalmente sofisticado e educado. Esta educação na base está faltando no Brasil.
BRCZ: Dizem que a Câmara do Deputados tem uma acústica fenomenal! Que ópera seria a mais adequada para descrever o circo politico que estamos vivendo? Uma ária para Roberto Jefferson.
Stela: Esta ainda está para ser escrita. Talvez alguém se inspire nos personagens da hora. Imagino que daria uma boa ópera buffa ou algo assim, tragicômico.
BRCZ: Uma soprano, um barítono, uma contralto, um tenor. Por quê? Stella: Este é o quarteto vocal clássico. A voz mais aguda (soprano), a média (contralto). Depois, na escala musical, a vos seguinte, que é a do Tenor e a mais grave, a do Baixo. Assim temos a abrangência da gama musical tal como expressa pela voz humana. A voz de SOPRANO se divide em Soprano Coloratura (o registro mais agudo), Soprano Lírico Ligeiro, Soprano Lírico, Soprano Dramático. Esta classificação é descendente no sentido do registro ou tessitura de uso e da cor. O soprano Coloratura é a voz mais aguda e mais leve dentre os sopranos e dentre todas as vozes. O soprano Dramático é uma voz feminina com agudos, mas também uma região média bem encorpada, chegando aos graves com cor e peso. Algumas cantoras se aventuraram além da sua classificação, cantando ligeiro quando jovens e passando para o lírico-dramático na medida em que a voz ia amadurecendo. Dentre as Sopranos Coloraturas que eu admiro e aprecio ouvir, destaco Edita Gruberova, da antiga Tchecoslováquia, Rita Streich, da Alemanha, e Mady Mesplé, França. Eu mesma tive minha classificação como Soprano Coloratura e cantei vários papéis deste repertório (''Lakmé'', ''Lucia de Lamermoor'', Gilde em ''Rigoletto'', Rainha da Noite na ''Flauta Mágica'', etc.). Atualmente já não mais alcanço as notas agudas com a facilidade de antes, mas sempre tive uma voz bastante leve e fácil na região aguda. Gostava, por exemplo, de imitar a Yma Sumac, e era até boa nisso... Sopranos Líricos são a voz mais comum dos Sopranos e geralmente as de timbre mais doce e suave. Nossa Bidú Sayão era um soprano lírico. A Renée Flemming, atual Diva do MET, também o é. A Kiri Te Kanawa foi uma grande representante desta catgegoria de soprano. Fui aluna de interpretação de uma soprano america das mais importantes em sua época: ELEANOR STEBER, que fazia uma Condessa Mozartiana como poucas. Mas a minha cantora PREFERIDA é a amada VICTORIA DE LOS ANGELES, que poderia ser considerada um Lírico Spinto, pois podia levar a voz a climaxes dramáticos. O Soprano Dramático é a voz feminina de maior poder e cores mais pesadas que o Lírico. Na minha opinião e na opinião de muita gente, principalmente os compositores veristas, que deram a esta voz o papel de suas heroinas, é a voz feminina de maior carisma. MARIA CALLAS era dramática, mas esta pertence a uma categoria única e especial, pois explorou a voz em todos os registros, por isto era chamada de ''Soprano Assoluta''. Esta ousadia e tão grande entrega à sua arte acabaram por destruir sua voz antes do tempo. Maria Callas ainda hoje me faz chorar. Aliás, quando tenho um choro preso, estancado, se ponho a Callas, é bem certo que a emoção de seu canto me inunde a alma, fazendo jorrar os rios interiores mais recônditos. Outra voz que amo, é a famosa rival de Callas, a RENATA TEBALDI. Puccini com a Tebaldi é um requinte do qual graças a Deus podemos usufruir através das gravações. Outra soprano fabulosoa foi a ZINKA MILANOV. O Meio Soprano é uma voz quente, sensual, de cores aveludadas, púrpureas, com capacidade de ir até os graves com voz encorpada. É uma voz que fica entre soprano e contralto. Dentre as Mezzos famosas eu adoro as vozes de Janet Baker, Frederika Von Stade, Cecilia Bartoli, Tatiana Troyanos, Jean de Gaetani. Aí vem o Contralto, a voz feminina mais grave e também rara. Um verdadeiro contralto não se encontra facilmente. A voz de Kathleen Ferrier era classificada como contralto. Uma voz maravilhosa de timbre muito quente. Gabriella Bensanzoni foi uma contralto que viveu no Brasil e fêz história na cena operística brasileira do começo do século xx. Os Tenores também têm sub-classificações, como Tenor Lírico-Ligeiro (ou Lírico Spinto), Tenore di Forza, Tenor Dramático ou Tenore Robusto e o Heldentenor (que é o Tenor wagneriano). As vozes de Tenor Dramático são mais raras e difíceis de treinar técnicamente. O meu Tenor preferido tinha uma voz muito leve, era um Spinto, mas cantava com um refinamento maravilhoso. Era um grande artista: TITO SCHIPPA. Depois dele, gosto do Alfredo Kraus, Nicolai Gedda, Peter Schreier. Gosto muito da voz do Pavarotti também, nos seus áureos anos. Gosto menos da voz do Plácido Domingo, que é um Tenor forçado. Muito artista e muito inteligente. Mas em qualidade de voz nem se pode compará-lo ao Pavarotti, que, quando abre a boca, deixa sair aquele fio mágico de puro ouro líquido. Os BARÍTONOS são as vozes masculinas mais comuns. Têm coloração escura e alcance nos graves. Alguns barítonos têm facilidade nos agudos e até podem ser confundidos com os Tenores Dramáticos. Meus Barítonos preferidos são Nicolai Ghiaurov, Tito Gobbi, Thomas Quasthoff, José Van Dam, Leonard Warren, Bryn Terfel. O Fischer-Dieskau também, no que toca o repertório camerístico alemão. A voz de BAIXO é a mais grave da gama musical. O russo Feodor Chaliapin foi um grande baixo. Samuel Ramey, americano, também contribuiu muito para o engrandecimento desta categoria vocal.
BRCZ: Como é que os músicos clássicos se conhecem em Nova York:
Stela: Quando se têm a oportunidade de frequentar escola de música aqui, esta é a melhor maneira de fazer amigos no meio musical. Eu tive esta oportunidade em duas universidades: O Brooklyn College e a Columbia University. Outra maneira é de boca: alguém precisa de um pianista, de um flautista, e aí tem alguém que conhece, que indica, e assim vai-se enchendo a caderneta de telefones e contactos. Quando há uma atividade assídua como coro, orquestra, grupo de música de câmara, aí sempre se conhece muita gente. Como aqui há tantos músicos residentes e todo mundo está ocupado em ganhar o pão de cada dia, as ocasiões de se conhecer outros músicos em geral são durante os compromissos musicais mesmo. Um vai puxando o seguinte, até formar uma rede de contactos. Outra situação são os congressos, conclaves, seminários, workshops.
BRCZ: Já tem planos para o próximo concerto?
Stela: Concerto propriamente dito, não tenho ainda nada agendado, mas sim muitos projetos acadêmicos, editoriais, e de ensino do repertório latino-americano e brasileiro. Em 2006 estarei em Barcelona no Festival de La Canción LatinoAmericana, ensinando o repertório brasileiro, dando Master Classes e também me apresentando em recitais. Também em 2006 estarei fazendo o mesmo aqui em Nova York, convidada pela National Association of Teachers of Singing. Estou envolvida com a comunidade acadêmica do Canto no Brasil, no sentido de criarmos e publicarmos a primeira antologia do canto lírico nacional. Também fui convidada para colaborar na preparação de um Catálogo da Canção Latino-Americana, a ser publicado pela Indiana University Press.
BRCZ: E CD vem Quando?
Stela: Interessante você tocar nesse assunto do CD. Em Brasília, amigos e companheiros músicos estão se organizando para lançar um CD que gravei em 1981 com minha amiga Moema Craveiro Campos, pianista. Trata-se de um recital que se entitulou ''Do Impressionismo aos Nossos Dias'', com composições que iam de Debussy, Ravel, passando por John Cage, até chegar aos contemporâneos brasileiros da época, com destaque para um compositor amigo, professor da UnB, o qual chegou a escrever música para minha voz. Também de Brasília vêm ensejos para realizar o projeto de gravação das canções do meu pai, arranjadas por Moema. Sim, meu pai deixou lindas canções, de letra e música de sua autoria. Minha mãe, que sabia música, o ajudava escrevendo na pauta a melodia e melhorava a prosódia, às vezes também o encadeamento melódico. A coleção destas canções foi por ele intitulada de ''Meu Balaio de Lembranças''. Minha mãe guardou tudo como um tesouro e, um mês antes defalecer, colocou os originais em minhas mãs dizendo: ''Está na hora de você cuidar da obra do seu pai...''. Tenho muito empenho neste projeto e gostaria de realizá-lo com minha irmã, o soprano Rosa Brandão, que vive e faz sua carreira na Europa.
BRCZ: Em Pasárgada, você....
Stela: Em Pasárgada eu trabalharia só com os assuntos culturais e teria carta branca para promover, divulgar a música brasileira no exterior em diversas categorias, não só a música erudita, mas daria à esta mais atenção, pois a música popular não precisa do apoio ''do Rei'' tanto quanto a erudita. Eu promoveria encontros, reuniões, saraus, luaus (termo bem brasiliense, pois Brasília adora um Lual, ou seja, serenata com lua) tentando congregar artistas brasileiros e outros de várias tendências para a promoção da arte brasileira aqui. Eu tentaria também ajudar a Comunidade brasileira residente aqui em Nova York a se organizar para dar às suas crianças não só o ensino do idioma português brasileiro, mas também referências culturais diversas sobre o Brasil, a nível mais institucionalizado, como fazem outros povos imigrantes. Eu daria toda a força a iniciativas como a do Domício Coutinho, da UBENY, para a concretização do sonho de termos um ''Brazilian Endowment for the Arts'' em Nova York! Eu lutaria para termos a CASA DO BRASIL em Nova York, com salas para projeção de filmes, exposição de pinturas, recitais, palestras, etc. Um lugar que servisse de verdadeira referência e ponto de cultura brasileira na Big Apple. Eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance para trazer, expôr, promover artistas brasileiros aqui. Ah! Se Passárgada fôsse aqui e agora!

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