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Light Pill, Publications, Publicação
Frederico Coelho, BR - Babylon Riddim ou In pressões sobre uma cidade
I
Sim, eis a Babylon Downtown, coffes and badasses, todos na rua pois o sol vem chegando e eis que Manhattan Brutalista abre os olhos do chinês coreano japonês com suas louras blondies girls e seus carros importados na cidade onde tudo cheira a dinheiro e tira onda aos olhos do terceiromundista. The globalizantion mostrando que miséria é miséria em qualquer canto, seja nas ruas de ramos ou na Saint Marks Place onde o cara com roupa de ex-milico revira lixo enquanto mastiga um megaslice de pizza. A chegada é relativa ao deslocamento. Tudo novo, tudo velho, a língua como desafio e a sagacidade como arma para sobreviver a essa goela engolidora de bodies and souls. Chegando no sapato. Como diria Dona Ivone: eu vim de lah pequininho, alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho...
II
Manhattan e seu tempo boca de matraca que abre e fecha sem parar não permite a decisão da vestimenta. Sim, novaiorquinos são simpáticos as vezes antipáticos as vezes mas são e estão sempre sendo por ai, sem vergonha de uma cidade perfeitamente imperfeita, suja como o resto, linda como muitas (outras belezas, outras landscapes, outras luzes). Seu drama talvez resida up to the sky: Não se vê estrelas em Manhattan. São tantas luzes à noite, que se você consegue ver duas ou três, esteja satisfeito. Como viver numa cidade sem estrelas de noite? Talvez seus moradores não sintam falta por acharem que eles, americanos brilhantes imigrantes vencedores já brilhem demais frente ao resto do mundo. Excessos em todos os níveis e gostos, pessoas cheias de si e sis cheios de pessoas. Às vezes fico lazy, malandro vagabundo carioca arrastado, andando devagar só pra incomodar a pressa deles. Sentei embaixo dos arcos do Washington Square Park e tirei onde de que não tinha picas pra fazer, sem escrever em caderninhos, sem abrir laptop, sem pensar em business (vc ouve essa palavra sendo dita na rua o tempo inteiro junto com fucked up) e sem ter que ser eles. Ser um vagabal sem cabeça vazando luz pelos lados da cuca aberta para o mundo. Eis me aqui, eis aqui todos vocês através dos olhos sunglasses que não abro mão. Undercovered na malandragem, vida nômade como libertad e prisão. Speaking spanish contra las adversidades hasta la victoria.
O subcomandante marcos, num restaurante em frente aos arcos, olhava e palitava os dentes.
III
Estar em trânsito é criar uma casca. Uma casa de caracol nas suas costas. Mesmo entre quatro paredes, mesmo dentro de um teto, nosostros somos fugazes. Me chamam de desaparecido, Jo tengo en mi cuerpo un motor que nunca para de rodar. Assim ocupamos espaços. OCUPAR ESPAÇOS é a lição número zero da vida. Roupas esmagadas em malas livros empilhados em paredes, e mesmo assim tudo bem tudo bom eu estou numa casa perfecta com vista para o Empire State Bulding numa esquina com Bleecker Street, epicentro da putaria cultural e gastronômica entre o Soho e o Greenwich Village. Sou solto no mundo em busca de casa permanente e mesmo assim me sinto em casa onde estou, no entrelugar latinoamericano hablando portuspanglês vidrado em wireless style e continuo procurando esrelas. Na última noite contei cinco. Com a proximidade do verão talvez elas surjam aos poucos. O lance é ganhar as ruas e comprar bonés de lã para esquentar la careca desprotegida do chill factor. Ontem fogos espocaram no ar como um bombardeio misturado com copacabana. Dez da noite. Uma vista linda. Uma noite escura e fria. Babylon.
Tu casa, mi casa. Mira la palomita en la ventana. Bamos tomar banho de sol nas cadeiras e ver a vista de concreto. Nenhuma montanha, nenhum morro. O verde entre o cinza. Outros olhares para uma nova retina.
Pregando a astúcia das serpentes, contrário à mansidão das pombas, atento ao barulho das bombas de são joão no fogueteiro.
IV
Na rua, Union Square place, em frente à loja Whole Food, eis o blacksound dos Hypnotics. Seis metais e uma bateria (o baixo era uma mega Tuba, som lindo de se ouvir de perto), todos vindos de Chicago, fazendo um som NEW ORLEANS BRASS BAND quente que literalmente hipnotizou. Uma espécie de groove jazz ska dixie roots funk band, tocando com entusiasmo e tirando onda com os whites que paravam aparvalhados sacudindo desengonçadamente a cabeça e os pés ou passavam com pressa irritados com a muvuca que atravancava a rua. Estanquei ali em frente e curti até o fim. O CD dos caras é matador também, excelente para manhãs de domingo de outono, pois é um som dançante e etéreo a mesmo tempo, viajante nos metais blindados da galera. Um deles, no final de cada música dizia que a idéia da banda era espalhar pelo mundo o som, cruzar todos os lados musicais e viajar musicalmente por onde desse, para onde a música os levasse. Comprei o CD e no final me aproximei de um deles, um dos trompetistas, para dizer que tinha gostado do som. Após um vigoroso shaking hands entre nós, eu disse que estava "bringing their sound to Brasil" e o cara abriu um vasto mega sorriso que só os negros amerianos têm sem lagar minha mão e, virando pra trás, disse bem alto para a banda, apontando para mim: "He´s from Brasil! That's what we're talking about man!!! We're spreading our music all over the world"!! E caminhei feliz pela brodway south pensando que o mundo está dentro de nós.
V
Quem disse que esses gringos estão correndo o tempo inteiro? Abriu um sol, eles todos deitam em qualquer lugar, na grama, no chão, no parque, na rua, embaixo de árvore, embaixo de marquise wherever só pra ficar igual lagartixa igual calango com barriga pra cima curtindo nesguinhas de sol filetes de luz nessa primavera que teima em ser fria mas óia aí o sol e geral na rua bombando de camiseta e laaaaargadaços no chão das ruas lendo paperback books e sorrindo sorrindo com Tropicana juices na mão rolando com seus cachorros que aliás estão em todos os lugares nas ruas no metrô nas lojas nos parque especiais feitos para os cachorros (o cheiro desses spots sometimes are deadly!) e assim lazy people just stop the business fever para ver uma flor uma feira de vegetais comerem um rabanete ou ouvirem indianos tocando tabla num sabadão chapação geral no bagaço da maçã.
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